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terça-feira, 1 de novembro de 2011

O que são underwriting e underwriter?

Hoje vamos falar de duas palavrinhas com origem na língua inglesa que, ao menos a princípio, parecem complicadas, mas não escondem nenhum grande segredo: underwriting e underwriter. Ambos os termos estão ligados ao processo de abertura de capital de uma empresa ao mercado (novamente em inglês, o famoso IPO, “initial public offering).

Underwriting significa “subscrição” e é exatamente o processo de lançamento de novas ações ao mercado em busca de interessados. Underwriting é o processo no qual os agentes que possuem recursos disponíveis demonstram desejo em adquirir ações da empresa que abre capital e subscrevem (demonstram formalmente o interesse) aquele papel. É uma operação que ocorre, portanto, no mercado primário. Não entendeu? Leia aqui opost “O básico da bolsa”

Mas a operação não é feita de forma direta. Ou seja, entre a empresa que abre capital (agente deficitário em busca de recursos para investir) e o público (agente superavitário que deseja aplicar recursos à procura de retorno) existe uma instituição (ou um pool de instituições) que promove o processo de subscrição. A esta instituição se dá o nome de underwriter. 

No Brasil, podem ser underwriter os bancos múltiplos, os bancos de investimento, as sociedades corretoras ou as sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários. 

Assim, underwriting é o processo, enquanto underwriter é o operador deste processo. 

Existem várias modalidades de underwriting. As duas mais conhecidas são underwriting de melhores esforços (best efforts) e underwriting firme (straight).

No underwriting de melhores esforços a instituição intermediadora (underwriter) se compromete a fazer o melhor para buscar interessados em investir nos papéis da empresa, mas o intermediário não assume qualquer compromisso caso as ações não encontrem boa acolhida junto ao público. Assim, os riscos são exclusivos da empresa emissora das ações, visto que esta não tem certeza de que atingirá o objetivo integral da captação de recursos para prover os investimentos planejados. 

No underwriting firme ocorre o contrário. Na contratação da operação, a instituição intermediadora (underwriter) assume o compromisso de subscrever todas as ações antes de revendê-las ao público, assumindo, desta forma, todos os riscos da operação. É evidente que no underwriting firme o underwriter recebe uma remuneração maior para aceitar o risco envolvido na operação.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

O básico da bolsa

Vamos abordar alguns pontos que são fundamentais compreender ao planejar investir no mercado acionário. Antes de abrir conta em uma corretora de valores, faça a seguinte pergunta para si mesmo: “Você entraria numa gruta sem saber o que tem lá dentro?” Claro que não! O mesmo vale para a bolsa de valores. Algumas pessoas começam a comprar e vender ações sem saber do que se trata.

Uma ação é a menor parte do capital de uma empresa. É um pedacinho mínimo daquele empreendimento. Ao adquirir uma ação, você automaticamente se torna sócio da empresa. Claro, a não ser que você esteja no ranking de bilionários da Forbes, não terá dinheiro suficiente para ser notado pelos controladores e sua fatia seria ínfima.

Mas por que as empresas vendem ações na bolsa? Simples: para se capitalizar. Existem alguns instrumentos para as empresas buscarem dinheiro para realizar novos investimentos. Uma delas é abrir o capital e angariar recursos diretamente de investidores. Ao fazer isso, os “donos do negócio” permitem que parte do controle da empresa fique com o público. Em troca, obtém dinheiro para ampliar os investimentos e lucrar ainda mais.

Imagine o seguinte exemplo:

1 – Você tem uma fábrica de parafusos que possui um capital de $ 100 milhões e lucra $ 200 mil por ano.

2 – Você disponibiliza ações da empresa na bolsa de valores e aumenta o capital da empresa para $ 120 milhões. Com esse aumento de 20% do capital, você espera que seu lucro cresça 50% a partir dos novos investimentos.

3 – Você antes controlava 100% da empresa, agora controla 83,3% da empresa, mas seu lucro pulou para $ 300 mil ao ano, valor que não seria alcançado sem captar recursos.

4 – Como você ganhou novos sócios (os donos dos 16,6% restante do capital), terá que distribuir parte dos lucros aos investidores. Mesmo assim, a relação ainda é extremamente favorável a você, controlador da empresa.

É importante ressaltar que as empresas só captam recursos na primeira vez que negociam as ações na bolsa. Isso é denominado Oferta Primária de Ações (o famoso “IPO”, na sigla em inglês). A partir daí, as ações são negociadas diretamente entre os investidores no mercado secundário, sem gerar qualquer renda para as empresas.

Por que as pessoas compram ações? Basicamente por dois motivos. O primeiro deles, para receber parte do lucro gerado pelas empresas das quais são sócios (é bom lembrar que as empresas podem registrar prejuízo, o que deixa os acionistas sem remuneração). O segundo motivo para se comprar ações é a expectativa de que as mesmas se valorizem no mercado secundário. Em outro post vamos entrar em detalhes sobre valorização de ações.